Cia Rústica, 21 anos de invenções no sul do mundo: Residências Petrobrás
Com alegria e suor, celebramos mais de 20 anos de uma trajetória repleta de criações, sonhos, encontros, insistências e lutas, apostando no que podemos ser, desde o sul do sul do mundo. Um prazer e uma oportunidade muito especial contar com o financiamento da Petrobras neste momento, através do edital Petrobras Cultural – Novos Eixos (2024).


Afirmando a memória, os desejos poéticos e os diálogos sociais que marcam a trajetória da companhia, a proposta reúne ações de criação, formação, pesquisa, reflexão e mediação, contando com espetáculos, oficinas, rodas de conversa, recursos de acessibilidade, conexões com escolas e universidades públicas. Por um lado, o projeto dá continuidade à pesquisa desenvolvida há anos pela companhia em torno de poéticas festivas, cabarés e diálogos entre arte e sociedade. Por outro lado, abre uma senda de inovação em sua estrutura logística, com a realização de residências em espaços culturais de diferentes cidades do país – Porto Alegre, Caruaru e São Paulo – articulando redes e fomentando a economia criativa produzida pelos próprios artistas, em conexões entre Sul, Nordeste e Sudeste.
Objetivamente, o projeto contempla:
- 18 apresentações em 3 cidades;
- 6 apresentações com audiodescrição e 12 com libras;
- 6 apresentações gratuitas para escolas e universidades públicas;
- 3 oficinas Poéticas Festivas;
- Encontros com Grupos de artes cênicas;
- Rodas de Conversa em cursos universitários de artes cênicas;
Os espetáculos apresentados, Cabaré da Vida Pequena e Cabaré do Amor Rasgado, tem a noção de cabarés do sul do mundo como horizonte conceitual e criativo: um espaço de mistura e irreverência onde a reflexão crítica é acompanhada por humor, corpo, poesia, música ao vivo, em relações de proximidade entre artistas e público, celebrando o encontro e o jogo da cena. Afirmam-se saberes e práticas próprias de nosso fazer, uma urgência de nosso tempo e contexto.
Nossa proposta é pensar o teatro e o cabaré de modo entrelaçado à perspectiva festiva implica entender e celebrar a possibilidade das artes cênicas como espaço aberto de encontro e experiência; como mecanismo relacional com potencial de formação de comunidade, como laboratório de sociabilidade, que se faz na presença de corpos em um espaço-tempo compartilhado. A cena festiva se deseja como prática corpórea, colaborativa, como arte de fazer festas em fronteiras; a festiva arte do encontro diante da morte. Há festividade no coletivo que pulsa, em corpos que dançam, em tentativas errantes, em pensamentos que respiram, que se permitem frestas, brechas. O cabaré se relaciona a estes imaginários e práticas: é um fazer coletivo, relacional, rebolante, desviante.
Cabaré da Vida Pequena é a montagem inédita com estreia prevista em 18 de junho de 2026 na Zona Cultural (Rua Alberto Bins, 900 – Porto Alegre / RS), evento que marca o lançamento do projeto. Lança um olhar à vida pequena e às histórias não contadas nas narrativas hegemônicas sobre o Rio Grande do Sul: histórias e canções de terreiros, do gaúcho pobre, do Pampa (o bioma mais destruído do Brasil), de pessoas indígenas e negras, de mulheres transformadoras, de artistas desconhecidos, de pessoas LGBTQIAPN+. Histórias vividas pela equipe e histórias coletadas em andanças e encontros, de gente anônima, que habita margens e desvios do discurso dominante. Além da branquitude e dos patrões de CTGs, do fetiche de “Europa” de Gramado, o sul do sul é feito de múltiplas matérias e povos, que ressoam a diversidade e a beleza do que somos e anunciam futuros do que podemos ser.
Com dramaturgia desenvolvida em sala de ensaio, propõe um outro olhar sobre o sul do sul do mundo, inovador na contraposição ao discurso dominante e no foco nas histórias que não são contadas, contribuindo na percepção da diversidade brasileira.
Cabaré do Amor Rasgado estreou em abril de 2023, com financiamento da Secretaria Estadual de Cultura (edital FAC RS), e celebra o amor como fundamento social e força de vida, uma ação que pode construir outros modos de convívio e partilha coletiva, muito além dos limites do amor romântico. Em tempos de ódio, toda forma de amor é celebrada como possibilidade de futuro. A narrativa é entremeada com canções da música popular brasileira, em uma atmosfera que evoca o carnaval de blocos e marchinhas. Cada espetáculo fará quatro apresentações em cada cidade: duas abertas ao público em geral, duas para escolas públicas. Serão vinte e quatro apresentações em três regiões, com recursos de acessibilidade, além de quatro ensaios abertos em Porto Alegre, como parte do processo da nova montagem.
A investigação de linguagem, procedimentos criativos, conceitos e modos de produção da pesquisa sobre “Cabarés do Sul do Mundo”, que envolve os dois espetáculos, busca o reconhecimento e afirmação de saberes e práticas próprios de nossa cena, que diferem das lógicas estadunidenses e europeias – uma urgência de nosso tempo e contexto.
O projeto contempla apresentações gratuitas para jovens do ensino médio de escolas públicas, com conversa ao final do espetáculo. Tal atividade contará com a ação de monitores especializados (discentes e docentes de Licenciatura em Teatro e/ou artistas dos grupos participantes) que desenvolverão um diálogo prévio com as turmas e professores, compartilhando informações sobre o projeto, a Cia Rústica, os espetáculos e sobre o próprio fazer teatral de forma mais ampla.



Em cada cidade, além das apresentações dos 2 espetáculos, o projeto ainda propõe:
– Oficina Poética Festiva, que compartilha procedimentos criativos e envolve a criação de cena especial para apresentação no Cabaré do Amor Rasgado, democratizando e ampliando a rede de criação;
– Encontro com Grupos de artes cênicas, em intercâmbio de reflexões, experiências e planos;
– Bate papo com escolas: as apresentações para escolas públicas contam com diálogos preparatórios, conversas depois do espetáculo, monitoria direcionada e contato com organizações de pessoas com deficiência auditiva ou visual com recursos de acessibilidade.
– Roda de Conversa em cursos universitários de artes cênicas;
Mais que apresentações, propõe-se um evento que celebra a arte como espaço de encontro e laboratório de imaginação de outras realidades possíveis, celebrando a diversidade e riqueza de nossa cultura e buscando contribuir nas necessárias transformações sociais de nosso tempo.

EQUIPE:
Concepção e Direção Geral: Patricia Fagundes
Direção de Produção: Letícia Vieira
Financeiro: Dani Lopes
Realização: Cia Rústica
Design Gráfico: Lenon Flores (Refazenda)
Redes Sociais: Cati Carpes (Refazenda)
Suporte e criação do site: Leonardo Klück
